Arquivo para julho, 2009

MPB é música para baixar

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , on julho 29, 2009 by osviralatacaipira

(escrito por eduardo ferreira)

Uma movimentação nacional no segmento musical vem se constituindo de forma madura e consistente através de várias iniciativas coletivas, organizadas e super ativas, adiantando-se, e muito, em relação às políticas públicas deflagradas pelos poderes constituídos, buscando solucionar os inúmeros problemas que acometem a cadeia produtiva desse segmento. Na minha visão isso faz parte de um momento de profundas transformações nas relações de produção da sociedade brasileira e mundial.

A coisa é pra valer e as organizações formais e informais, junto com governos, sem governos, tá tudo se juntando numa mistura explosiva – uma explosão de amor e farta solidariedade. Prefiro acreditar que seja assim e assim quero me manifestar. Uso de minhas prerrogativas (absolutamente individuais) do direito à comunicação e só falo por mim e só por minha língua.

Em Porto Alegre durante os debates de lançamento do mais novo rebento dessa seara que se ergue dos subterrâneos, que é o MPB – música para baixar, a gente falou disso, da necessidade de reconstituirmos a idéia das grandes mutações, mas com algo de bom que sobrou do movimento hippie, do punk, do beatnik, da tropicália, do lirismo modernista de manuel bandeira, do niilista Nietzche, de Tristan Tzara a Stockhausen, de todos os povos e misturas, de todos os alquimistas, de todos os caldeirões mágicos e fenomelógicos, e a partir desse caldeirão, falar de amor, do amor que podemos sentir pelos outros, pelo que ainda nos resta de humanos.

Só podemos mudar as coisas dentro da perspectiva de novas lógicas ou de novas relações sociais, que vem alimentando todos os fóruns sociais, de tecnologia, de música, de cultura colaborativa, com o bordão – um mundo melhor é possível. Claro que é possível, é preciso acreditar, e mais que isso, trabalhar para que novos paradigmas (auto-gestão e sustentabilidade) sustentem essa luta e consolidem a nova-velha humanidade que pode advir daí.

O MPB extrapola tudo que tenho visto por aí por que nasceu de um sonho de artivistas, de pessoas que entendem o mundo e as relações entre as pessoas como uma grande comunhão, global,compartilhada, radical mesmo, na raiz. Que venham das casas das pessoas, das salas de aula, dos bares, das vilas e favelas, é hora de colocar tudo para o todo, ter a grandeza e a coragem de quebrar monopólios e portfólios, de botar o autor no lugar dos comuns junto com os comuns por que de deuses a nossa história já está cheia e nós já estamos de saco cheio.

O jeito então é lutar e superar a lógica impessoal das insanas corporações, de pregar liberdade, amor, tecnologias livres e responsabilidade com a vida, com as pessoas, com o meio ambiente, enfim compartilhar tudo que fomos capazes de construir no correr da história humana.

Morre um modelo de produção selvagem e excludente dentro do capitalismo voraz que devora dignidades e desequilibra o jogo da vida colocando o futuro da humanidade em alto risco, seja pela gula, seja pelos excessos dos consumidores, provocados que são, pela propaganda, criando um brinquedo atrás do outro. É tudo rápido demais, é tudo efêmero, quebre o brinquedo e veja, não há nada dentro (curiosidade de qualquer criança), quebre essa corrente do compre mais, quebre mais, junte o lixo, esconda debaixo da cama se for capaz. Não dá mais para se esconder debaixo do tapete da sala, meu caro!

As coisas não podem mais ficar para depois, a sociedade precisa estar atenta e se fortalecer, se organizar, combater esses males que são nocivos para todos, não para mim, nem para você só. A responsabilidade é geral. Ninguém tem o direito de negar essa responsabilidade. Capitalismo prega egoísmo. Nós queremos a liberdade de escolher não ser egoístas, a gente quer escolher compartilhar. O mestre Paul Singer disse uma coisa numa reunião em Brasília que nunca esqueci: “Não vamos confrontar com ninguém. As armas são outras. Queremos é seduzir, colocar alternativas para a cultura e mais que isso, para toda a sociedade, de que existem outras formas de felicidade”, ou seja, queremos uma humanidade mais lúdica, mais aberta para a lindeza de um sorriso, mais aberta para repartir, comungar, celebrar com todos os irmãos que formam a grande comunidade humana.

O cara pirou? Não, cara, sonhei, sonhei um sonho que é possível, não precisamos esperar a tragédia para experimentarmos o gosto de se somar aos outros. Pergunto aos meus botões, por que as pessoas só se tocam na hora da tragédia, nas grandes catástrofes? Por que esperar o pior para construir o melhor? Somos a soma dos comuns e é uma delícia sentar em roda e tocar, cantar, dançar, sonhar, bailar, sem medo de ser feliz, ninguém perde nada com isso, todo mundo ganha com isso, dinheiro é ilusão, dê um delete hacker na conta deles, dá um limpa e pronto: são meros números, aquilo não representa nada, a não ser espoliação, exclusão, concentração absurda de riqueza que nos desconectou a todos. O momento nunca foi tão propício para podermos mostrar a força das construções coletivas.

O que parecia brincadeira de adolescentes está se espalhando e formando redes que, uma vez conectadas, nunca mais terá retorno.
O encontro MPB nos mostrou que estamos conectados na capacidade de nossas almas comungarem princípíos solidários.

Mas isso assusta, isso deixa muita gente com medo, sei disso, entendo até, mas acredite: ninguém perde nada, todo mundo pode ganhar por que as coisas a partir daí vão se transformar, os valores se ampliarão para outras esferas da percepção humana que é muito imaginativa, muito criativa. Não é se eximindo de responsabilidades que iremos resolver nossas terríveis diferenças, que geram fome, dor, indignidade.

Claro que a coisa é complicada e esse texto encontrou desvios que guiaram minhas mãos, mas aceito e gosto do risco, são eles que alimentam, que fazem querer continuar, querer ampliar a luta, o que era para ser um artigo “jornalístico”, virou isso. Nem sei dizer o que é. Mas é o que sinto e o que me faz vibrar.

Fernando Anitelli do Teatro Mágico e Richard Serraria da Bataclã F.C.

Fernando Anitelli do Teatro Mágico e Richard Serraria da Bataclã F.C.

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Uma noite na ópera caipira

Posted in Uncategorized with tags , , , , on julho 28, 2009 by osviralatacaipira
foto: Cláudio Oliveira

foto: Cláudio Oliveira

Ao subir a Getulio Vargas, percebo pelo retrovisor que o carro está fumando, assim como fazemos do lado de dentro da barca, a diferença é o cheiro da fumaça. Sábado frio em Cuiabá. Noite de espetáculo no renovado Cine Teatro. Vez d’Os Vira Lata subirem ao palco mais comentado dos últimos meses. No foyer, jornalistas, cineastas, cientistas, boêmios e artistas de todas as caras trocam expectativas enquanto aguardam o concerto da noite.

Já na sala de espetáculos, para além das oito horas, me pego pensando: O que será que Eduardo e companhia estão fazendo lá atrás que não entram logo! Posso imaginar. Deu vontade de invadir os camarins! No palco, luzes amareladas projetam as sombras de duas enigmáticas esculturas de Ana Amélia. Também são duas, as violas largadas encima dos pufes aguardando em silêncio, ao lado de uma curiosa guitarra elétrica!

Sem cerimônias, os irmãos Eduardo Ferreira e André Balbino adentram o palco, empunham suas violas caipiras e dão início ao que eu chamei de ‘Prelúdio Acústico’, com uma música chamada Minueto Blues. Um som excêntrico, uma mistura da honestidade do Ferreira e da virtuosidade do prodigioso André Balbino dá o tom do concerto. Pareceu-me algo tão despretensioso e descontraído que tive a impressão de vê-los tocar na sala de casa, sem microfones, contrabaixo ou bateria… Bateria? Não tem bateria? Por essa eu não esperava!

Logo, dois outros personagens se juntam a dupla de irmãos – ainda no Prelúdio -, o lendário Pio Toledo, ao violão e Danilo Barero, na guitarra completam o primeiro momento do espetáculo, e é claro, a “onipresente” Ana Amélia, que toma o palco de assalto – poético – inúmeras vezes, disparando lirismos e costurando toda a apresentação, da primeira a última canção, ao melhor estilo Caximir.

Duas cenas importantes resumem o clima de descontração nesta primeira parte: A canção de amor que Balbino toca sozinho à viola, Verônika, cheia de sentimentos e anseios, tão incorruptível que até parece tocar num banheiro – e ele toca no banheiro mesmo, que eu sei. Outra cena importante é quando o Prelúdio chega ao fim e Pio desce do palco pela frente, segurando seu violão numa das mãos e o estojo do instrumento na outra, e, sem pudores, acomoda-se na primeira fila da platéia, para ver a segunda parte do concerto. De atração a atraído em um minuto.

Pelas coxias do teatro, todos saem do palco em silêncio. O tablado fica vazio. Só as esculturas enigmáticas permanecem, até que a imensa tela branca que divide o palco cuiabano em dois é erguida, dando profundidade ao anfiteatro e revelando uma banda formada por Amauri Lobo, no contrabaixo, por Danilo Barero e sua singular guitarra falante, os irmãos Ferreira e Balbino nas violas de dez cordas plugadas e, agora sim, uma bateria barulhenta, socada por Rubens Lisboa, o Rubão.

No segundo momento, que eu chamo de Rapsódia Caipira, as composições de estrutura indefinida, tocadas por violas elétricas, contrabaixo, guitarra e bateria, expressam a liberdade dos compositores em matéria de estilo, forma e temática, reunindo várias inspirações folclóricas, ora traduzidas em imagens de vídeos projetados atrás dos músicos – trecho do média metragem Cerimônia do Esquecimento e o vídeo Parafuso Solto -, ora sem tradução alguma.

Um concerto memorável, para além do Cine Teatro Cuiabá. Depois da apresentação, acabei a noite – ou comecei o dia, dependendo do ponto de vista – na casa do Ferreira, em rodas de violão, ouvindo Ana Amélia declamar Fernando Pessoa e observando outras elucubrações artísticas de Eduardo Ferreira, como o painel de desenhos e gravuras viscerais, traçados por ele na parede do banheiro de sua casa. Saí de lá inspirado pela arte d’Os Vira Lata, curiosamente, atendendo pelo nome de Miguel Sutil. Aliás, alguns de nos foi rebatizado àquela noite. Voltamos para casa as cinco da matina, atendendo por nomes de ruas e avenidas da província.

– Vamos embora, Filinto?

– Vamos, só espera eu chamar o Isaac Povoas que está tentando cruzar com a Barão de Melgaço!

– Aproveita e chama o Correa da Costa também.

Minutos mais tarde, já perto da casa:

– Acho que está faltando alguém – Pensa alto Correa da Costa.

– Ih, esquecemos o Presidente Marques lá!


Protásios de Morais
Comunicação
Orquestra do Estado de Mato Grosso
Fone: (65) 3027-1824
Cel: (65) 8425-1443
http://www.orquestra.mt.gov.br

Osviralata e as violas

Posted in Uncategorized with tags , , on julho 28, 2009 by osviralatacaipira


Violas que passeiam por vários ritmos, acompanhadas por outros instrumentos, poesia e audiovisual. ÀS 20 horas no Cine Teatro. Hoje

por Lorenzo Falcao

Neste sábado o melhor programa musical, com boas pitadas de audiovisual e poesia, é o show Osviralata, que acontece a partir das 20 horas no point mais badalado da cena cultural cuiabana do momento, o Cine Teatro.

O show tem o apoio do Instituto Creatio e reúne os músicos André Balbino, Eduardo Ferreira, Rubens Lisboa e Amauri Lobo, além de músicos convidados. A poeta Anna Marimon se encarrega da pegada poética do lance. Ela, assim como Eduardo, André e Amauri pertenceram ao lendário Caximir, grupo performático que militou durante duas décadas pelas noites cuiabanas e também chegou a se apresentar fora de Mato Grosso. Com vocação notadamente multimídia, a maior parte de seus integrantes militava livremente entre o teatro e as artes plásticas, entre o audiovisual e a literatura, mas sempre tendo a música como propulsora.

O Caximir já faz parte da história da cultura cuiabana e mato-grossense e é praticamente uma referência entre as manifestações culturais da região. Talvez por ser um grupo muito grande, o que dificulta uma coesão, ou talvez por outros detalhes do destino, que levam cada um para um lado, acabou se extinguindo, embora reze a lenda que ele pode voltar a qualquer hora, mesmo que seja em edição extraordinária. A própria apresentação de Osviralata, que reúne quatro ex-integrantes do grupo, talvez enseje o ‘eterno retorno’ dessa galera que aterrorizava, no bom sentido, as noites cuiabanas, especialmente ali pelos lados do Coxipó.

O quinto integrante, Rubens Lisboa, mais conhecido como Rubão, também é antigo na música regional. Já foi baterista de algumas bandas e não resta a menor dúvida de que vai segurar legal. Mas fica uma grande expectativa em torno do que vai ser o show desta noite, já que as violas caipiras vão passear livremente por vários ritmos, aprovando fusões e destruindo rótulos pré-fabricados. A expectativa é gigantesca também no que se refere aos convidados que devem subir ao palco.

Músicos de notório talento da cena atual cuiabana, como Ebinho Cardoso e Danilo Barero, foram vistos tocando com André Balbino há poucos dias. Agora, se eles vão ou não subir no palco e mandar ver com Osvira…, é outra história, e só quem comparecer é que vai saber mesmo.

Não seria incorreto tentar resumir Osviralata como um grupo que trabalha a partir das violas caipiras, canções e textos dos irmãos Eduardo Ferreira e André Balbino, e que vem realizando pesquisas sonoras com as violas que buscam ampliar suas possibilidades para além dos modismos.

“Se há uma coisa que define Osviralata é o indefinível, pois não assumem nenhum rótulo. Só precisam das rótulas para articular o jogo de corpo para poder bailar nos mais de mil sons que a viola oferta.

O som vai desde blues, rock’n roll, pagode mineiro, umas classicosas fakes inventadas, funk, samba, brega, músicas autorais com canções e instrumentais, entre outras inovações.” É isso o que diz o release que despencou aqui na redação sobre esse grupo. Os ingressos estão a dez e cinco reais.

Para o futuro, a banda prevê uma mini turnê nacional passando por Recife, Florianópolis, Brasília e Porto Alegre, onde vão interagir com artistas locais.

Hello world!

Posted in Uncategorized on julho 28, 2009 by osviralatacaipira

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